Casal de pastores é indiciado por suspeita de usar igreja para abusar de adolescentes
BOA VISTA — A Polícia Civil de Roraima concluiu uma investigação que aponta que o casal de pastores Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24, utilizava a estrutura religiosa de uma igreja evangélica para cometer abusos sexuais contra adolescentes. O templo religioso foi fechado por determinação legal, e o pedido de prisão dos investigados tramita sob sigilo judicial.
A defesa do casal nega veementemente as acusações e afirma que ambos são inocentes.
O Esquema de Abuso e Indiciamento
De acordo com o inquérito policial, os crimes eram cometidos em Boa Vista, capital do estado, onde o casal exercia forte liderança religiosa. A delegada Kamilla Basto, responsável pelo caso, informou que os investigados se aproveitavam de suas posições eclesiásticas para conquistar a confiança de jovens que se encontravam em situação de vulnerabilidade emocional e econômica.
Relatos de algumas das vítimas indicam que os abusos se repetiram sistematicamente ao longo de anos. Diante das evidências colhidas, os dois foram indiciados pelos crimes de:
-
Estupro de vulnerável
-
Importunação sexual
-
Fraude processual (além de outras infrações correlatas)
O caso agora está sob análise do Ministério Público Estadual (MPE) e do Poder Judiciário. Caberá à Promotoria avaliar as provas e decidir se apresentará uma denúncia criminal formal à Justiça, o que dará início a uma ação penal.
Relatos das Vítimas e Investigação
A apuração teve início em abril de 2026, após duas adolescentes comparecerem voluntariamente à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) para denunciar os crimes. Em um período de aproximadamente 50 dias, a equipe policial colheu o depoimento de 41 pessoas e identificou novas vítimas no decorrer dos trabalhos.
A reportagem teve acesso a trechos de um dos processos, no qual uma jovem de 14 anos, acompanhada por uma amiga de 18 anos, detalhou um dos episódios de abuso na delegacia. Segundo o boletim de ocorrência:
“O pastor levou a menor para a última rua do bairro, não movimentada, e fez a brincadeira de adivinhação da cor da roupa íntima e pediu para que tirasse uma de suas peças, a blusa ou a calça. Ela disse que não se sentia confortável, então o pastor pediu para que mostrasse o sutiã, (em seguida) colocou ela de costas e começou a se masturbar.”
As investigações prosseguem sob segredo de Justiça para resguardar a identidade e a integridade das vítimas menores de idade.
FOTO REPRODUÇÕA REDES SOCIAS



