Em Minas Gerais acidentes de trânsito matam seis pessoas por dia.

Quando o alerta de “pau quebrando” é acionado no Pelotão de Busca e Salvamento (PBS), o “Bope” do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, em Belo Horizonte, é provável que um grave acidente de trânsito tenha acabado de acontecer em Belo Horizonte ou região metropolitana. Especialistas em socorros complexos, os militares do pelotão já saem do quartel cientes de que precisam correr contra o tempo.

A preocupação não é em vão. Apenas nos oito primeiros meses de 2018, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), 1.340 pessoas morreram em algum acidente de trânsito no Estado, uma média de quase seis mortes por dia. Em todo o ano passado, foram 3.541 óbitos.

Entre as vítimas estão pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas de modo geral. Segundo especialista, não apenas nesta terça-feira (25), Dia Nacional do Trânsito, esses números merecem uma reflexão por parte de autoridades e motoristas. Para o mestre na área de transportes Silvestre de Andrade Puty Filho, o problema é responsabilidade de todos.

“Esses números têm a ver com o motorista, com o veículo e com vias em estado ruim. Mas quem comete a infração tem que ser punido, e não é só no bolso. Tem que ter maior fiscalização para que não permaneça o sentimento de impunidade”, afirma.

Um levantamento da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) aponta que pelo menos 196 acidentes de trânsito acontecem por dia em Belo Horizonte. Ao todo, em 2018, foram registrados 47.865 acidentes somente na capital. No mesmo período de 2017, foram 49.562 registros, encerrando o ano com 76.111 acidentes.

“Pela nossa experiência, a gente percebe que a maioria dos acidentes está relacionada à imprudência do motorista. Excesso de velocidade, utilização do veículo associado ao álcool ou alguma substância entorpecente”, explica o tenente Tiago Costa, do Corpo de Bombeiros, especialista em socorros de acidentes no trânsito.

Os bombeiros afirmam que grande parte das batidas é grave e que o socorro rápido é importantíssimo para salvar vidas, porém isso nem sempre é possível devido ao desrespeito das regras de trânsito por parte de motoristas. “O nosso maior desafio se encontra no próprio trânsito. Infelizmente, muitas pessoas não dão preferência para a ambulância ou estão desatentas e não percebem que tem uma ambulância ou uma viatura ali em situação de emergência. Acaba tirando segundos preciosos nossos. Além disso, assim que a gente chega, a preocupação é retirar as pessoas curiosas da cena”, explica o sargento Thales Leite.

Segundo os militares do PBS, o socorro de uma vítima em um acidente pode demorar entre 15 minutos e quatro horas, conforme a complexidade do caso.

Ajuda

Bombeiros. Para solicitar atendimento do Corpo de Bombeiros, é preciso ligar para o telefone 193. A ocorrência chega à central, que envia as viaturas mais próximas disponíveis.

É preciso cuidar do psicológico

Sair de casa sem saber o que encontrará pela frente. A rotina dos militares do Corpo de Bombeiros é imprevisível, e, embora os profissionais sejam capacitados para manter a calma, alguns acidentes deixam os profissionais abalados após o atendimento.

“É um trabalho completamente profissional. Você consegue desligar da parte emocional e dar uma resposta rápida, tomar decisões para o cidadão que está precisando naquele momento. Mas, quando a gente volta, acaba pesando. O ser humano não foi feito para ver esse tipo de coisa”, conta o tenente Tiago Costa, que é bombeiro há quase dez anos.

“Hoje a gente consegue separar bem. Chegamos em casa e conseguimos separar um pouco do trabalho para ter uma vida normal, mas é inevitável que alguns acidentes mais graves acabem mexendo com a gente. Muitas vezes temos que nos reunir para trabalhar o psicológico. Infelizmente, nossa profissão é assim”, afirmou o sargento Thales Leite, que é bombeiro há quase nove anos.

Saiba mais

Números. De janeiro de 2017 a agosto deste ano, 4.881 pessoas morreram em acidentes de trânsito em Minas Gerais, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG).

Vítimas. Somente de janeiro a agosto deste ano, 195 pedestres, 69 ciclistas, 330 de motociclistas e 507 motoristas e passageiros de veículos morreram em acidentes de trânsito em Minas. Outras causas, não especificadas pela SES-MG, fizeram 239 vítimas.

RKIO/Fonte:Mariana Nogueira/ O Tempo

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