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GERAL

Quatro pessoas entre elas madrasta e o pai são condenados pelo assassinato do menino Bernado no Rio Grande do Sul

Pai, madrasta e outros dois réus são condenados pela morte do menino Bernardo em Três Passos

Tribunal do Júri considerou Leandro Boldrini, Graciele Ugulini e Edelvânia e Evandro Wirganovicz culpados, cabe recurso.

Menino foi morto há cinco anos por conta de uma superdosagem de medicação e teve o corpo enterrado em uma cova no interior de Frederico Westphalen.

O Conselho de Sentença do Tribunal do Júri condenou nesta sexta-feira (15) os quatro acusados pela morte do menino Bernardo Uglione Boldrini, em abril de 2014.

Após cerca de 50 horas de julgamento popular, em cinco dias, a sentença foi proferida pela juíza Sucilene Engler Werle por volta das 19h no Foro de Três Passos, no Noroeste do Rio Grande do Sul.

Relembre o caso:

Bernardo foi morto no dia 4 de abril de 2014, e enterrado em uma cova cavada à mão.

O menino morava com o pai, Leandro Boldrini, e a madrasta, Graciele Ugulini.

O corpo foi encontrado na noite de 14 de abril de 2014. 

Leandro, Graciele e Edelvânia Wirganovicz, amiga de Graciele, foram presos no dia.

A investigação apontou superdosagem do medicamento Midazolam como a causa. Os três foram indiciados.

No dia 10 de maio de 2014, o irmão de Edelvânia, Evandro Wirganovicz, também foi preso.

A polícia divulgou vídeos de brigas entre Bernardo, Leandro e Graciele, e também conversas de familiares sobre o crime.

A denúncia do Ministério Público apontou que Graciele ministrou o remédio, com ajuda de Edelvânia.

Leandro foi apontado como mentor e Evandro, como cúmplice.

Já na condição de réus, Leandro, Graciele e Edelvânia e Evandro foram pronunciados ao Tribunal do Júri.

A mãe do menino, Odilaine, foi encontrada morta dentro da clínica do então marido anos antes, em fevereiro de 2010.

A polícia havia concluído que ela cometeu suicídio com um revólver. Mas a defesa da mãe dela, Jussara Uglione, contestou a versão.

O inquérito foi reaberto, Concluído em março de 2016, a nova investigação não apontou indícios de homicídio. 

Veja as penas:

Graciele Ugulini, madrasta de Bernardo, teve a pena mais alta: 34 anos e sete meses de reclusão em regime inicialmente fechado, por homicídio quadruplamente qualificado e ocultação de cadáver. Ela não poderá recorrer em liberdade.

Leandro Boldrini, pai da criança, recebeu 33 anos e oito meses de prisão por homicídio doloso quadruplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.

Edelvânia Wirganovicz, amiga de Graciele, foi condenada a 22 anos e 10 meses por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.

Evandro Wirganovicz, irmão de Edelvânia, pegou nove anos e seis meses em regime semiaberto por homicídio simples e ocultação de cadáver.

O G1 transmitiu o julgamento ao vivo.

Ao ouvirem o veredito, seguido das penas, os réus não esboçaram reação.

O médico Leandro vestia uma camiseta assinada pela filha de seis anos com os dizeres: “Pai, eu sigo seus passos”.

Os irmãos dele estavam presentes, sentado em uma das cadeiras reservadas aos familiares, o mais velho balançava a cabeça em sinal de negação após ouvir o resultado. “Achei exagero. Me decepcionei com a decisão”, confessou Paulo Boldrini ao G1.

Ele disse que ainda acredita na inocência de Leandro.

Minutos depois, Edelvânia propôs um abraço entre irmãos. Separados por uma mesa, ela estendeu os braços em direção a Evandro, que retribuiu o gesto.

Do lado de fora do prédio, a comunidade esperava, ansiosa, pelo resultado, que foi comemorado pela maioria.

A medida que o término do julgamento se aproximava, o movimento na avenida Júlio de Castilhos crescia.

Dezenas de pessoas vestiam camisetas com a foto de Bernado e seguravam cartazes em homenagem ao menino.
Lida a sentença, parte da população saiu em caminhada até a casa onde Bernardo vivia, a algumas quadras dali.

O objetivo era retirar os cartazes com pedidos por justiça que, há quase cinco anos, se acumulavam no local.

“A gente sempre comentou que quando a justiça fosse feita e tudo acabasse a gente ia tirar.

Até para trazer paz para ele e para todos”, justificou a ex-professora de Bernardo, Susana Ottonelli.

Enquanto isso, a outra parte preferiu aguardar a saída dos condenados em frente ao Fórum.

Aos gritos de “assassinos, assassinos”, a população assistiu de perto aos carros da Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe) deixando o local.

Os quatro já estavam presos e retornaram às penitenciárias após o julgamento. Cabe recurso.

Muitas pessoas, inclusive, pediram para tirar fotos ao lado dos promotores do Ministério Público quando o julgamento acabou e parabenizaram o trabalho da acusação.

Em entrevista coletiva após a o julgamento, a juíza Sucilene Engler comentou os cinco dias de júri. “Eu e minha equipe vínhamos nos preparando há tempos.

Tínhamos 28 testemunhas arroladas, estávamos preparados para um julgamento longo”, ressaltou ela.

Houve desistências, sobrando 14 testemunhas, o que possibilitou o julgamento mais breve.

Conforme a juíza, Graciele recebeu uma pena maior do que a de Leandro, apesar de responder por menos crimes, em função do juízo de valor do que está previso em lei e o que consta nos autos. “São as circunstâncias dos autos que devem ser avaliadas.

Quando fazemos a dosimetria, avaliamos a personalidade, a conduta”, detalha.

“A conduta valorada a ela foi um pouco mais grave”, explicou.

“Desde o início, eu senti um certo tratamento diferente talvez, todo mundo preocupado com o caso. Entendo que teve repercussão desde o início.

Mas a forma como eu saio daqui hoje é a mesma forma como saio de qualquer outro júri”, concluiu a juíza.

RKIO / REPRODUÇÃO G1/ Foto: Joyce Heurich/G1

 

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