Morte de detento do Ceresp em Ipatinga é atribuída a traumatismo craniano
A morte do soldador Jerônimo Gonçalves Figueiredo, de 47 anos, ocorrida no último domingo (8), após ser retirado do Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) de Ipatinga, levanta questionamentos e causa revolta entre familiares. Ele estava preso havia poucos dias e foi levado inconsciente para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde chegou já sem vida, como divulgou o Diário do Aço.
A reportagem do Diário do Aço teve acesso ao atestado de óbito de Jerônimo, que aponta como causa da morte “traumatismo cranioencefálico; impacto de (em) instrumento ou meio contundente”.
Jerônimo foi preso no último dia 31 de dezembro, após atear fogo em sua casa, na rua Arruda, no bairro Bom Jardim, em Ipatinga, conforme informou o Diário do Aço na época. A Polícia Militar foi acionada depois que o casal que morava no imóvel acordou com fumaça enquanto dormia e conseguiu conter as chamas ainda em pânico.
Segundo dados apurados com fontes Polícia Penal, por volta das 15h30, policiais penais foram acionados por detentos da cela 1 do Bloco A, que informaram que Jerônimo estaria passando mal. Ao entrarem na cela, os policiais constataram que ele não respondia aos chamados e aparentava estar inconsciente. Diante da gravidade da situação, o preso foi retirado do local e, como o Samu não pôde garantir atendimento imediato devido à alta demanda, dois policiais o conduziram com urgência até a UPA.
Na unidade de saúde, a médica plantonista atestou o óbito, sem conseguir precisar naquele momento a causa da morte. O corpo foi encaminhado ao Posto Médico Legal (PML) para exames periciais, e a família foi posteriormente comunicada.
Durante o funeral realizado no Salão Velório da Funerária Nova Aliamça-Grupo Zelo, a sobrinha de Jerônimo, Ludmila Gonçalves do Nascimento Reis, de 28 anos, que trabalha como caixa, concedeu entrevista ao Diário do Aço e relatou o drama vivido pela família. Segundo ela, o tio era réu primário, nunca havia passado pelo sistema prisional e enfrentava problemas de saúde agravados pelo alcoolismo. Ludmila contou que Jerônimo era soldador e já havia trabalhado na Usiminas, sendo lembrado com carinho por vizinhos e familiares.
Ela afirma que a prisão ocorreu após um conflito familiar envolvendo uma tia, que teria registrado ocorrência contra Jerônimo alegando tentativa de homicídio. A sobrinha sustenta que ele estava debilitado fisicamente no momento da prisão e que a família buscava alternativas legais, inclusive a possibilidade de prisão domiciliar.
O que mais revolta os parentes, segundo Ludmila, é a falta de informações oficiais sobre o que realmente aconteceu dentro do Ceresp. Ela relata que só soube do ocorrido após uma assistente social da UPA entrar em contato com seu pai pedindo a presença de um familiar. Ao chegar à unidade de saúde, foi informada pelo médico de que Jerônimo já havia dado entrada sem vida.
Ainda conforme Ludmila, policiais impediram que a família visse o corpo naquele momento, alegando que havia muitos hematomas. Posteriormente, no PML, os parentes constataram marcas visíveis de violência. “Ele estava todo machucado, com o rosto estourado. Isso é desumano. Se ele estava sob custódia do Estado, o mínimo era ter a vida protegida”, desabafou.
A sobrinha cobra esclarecimentos e justiça. “A gente não sabe se foi agressão, acidente ou o quê. Ninguém explicou nada. Só avisaram que ele morreu e pronto. Preso também tem família. Ele não merecia morrer assim”, afirmou.
O corpo de Jerônimo Gonçalves foi sepultado às 8h, no Cemitério Parque Senhora da Paz, no bairro Veneza II, em Ipatinga.
Fonte Diário do Aço



