Investigação da Polícia Civil esclarece triplo feminicídio
O trabalho técnico e contínuo de investigação da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) resultou no esclarecimento do ataque ocorrido em uma padaria no bairro Lagoa, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que resultou na morte de três mulheres e deixou uma quarta vítima ferida. Um homem de 30 anos foi indiciado pelos crimes.
Conduzido pela Delegacia Especializada de Homicídios no município, o inquérito policial foi concluído na última semana com o indiciamento de um homem por três feminicídios consumados e um feminicídio tentado. As vítimas fatais tinham 14, 16 e 56 anos. Uma jovem de 19 anos sobreviveu ao atentado.
O suspeito foi preso em flagrante no último 10 de fevereiro por posse ilegal de arma de fogo, após abordagem realizada pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). Durante as apurações conduzidas pela PCMG, o armamento apreendido — uma pistola artesanal calibre .380 — foi submetido a exames balísticos, que confirmaram sua utilização nos feminicídios.
Investigação
Ao longo da investigação, foram ouvidas 11 pessoas, além da realização de análises periciais e levantamento detalhado de imagens e informações relacionadas à dinâmica dos fatos.
Logo após o crime, ocorrido na noite de 4 de fevereiro, equipes da Delegacia de Homicídios concentraram esforços para compreender a execução do ataque e identificar o responsável.
De acordo com o delegado Marcus Rios, a natureza do caso exigiu uma análise aprofundada desde os primeiros momentos. “Pelas circunstâncias da execução e pelo relato da vítima sobrevivente, já nas primeiras horas percebemos que se tratava de um fato atípico, que exigia examinar cuidadosamente todas as possíveis linhas investigativas”, explicou.
Enquanto os levantamentos iniciais avançavam, um segundo episódio ocorrido poucas horas depois chamou a atenção dos investigadores e se tornou peça-chave para o esclarecimento do caso.
Modo de agir
Cerca de 15 horas após o ataque na padaria, um homem armado tentou realizar disparos contra funcionários de uma oficina localizada a poucos minutos do primeiro local do crime. Embora ninguém tenha sido atingido, a semelhança no modo de agir chamou a atenção das equipes policiais.
O suspeito chegou ao local em uma motocicleta, usando capacete e adotando postura semelhante à registrada no crime anterior. As imagens captadas pelas câmeras de segurança da oficina apresentavam melhor qualidade e permitiram observar detalhes relevantes da movimentação do suspeito.
“Esse segundo fato foi decisivo para a investigação, porque as imagens eram muito mais nítidas. A partir delas foi possível identificar características físicas e comportamentais do investigado, permitindo compartilhar essas informações com outras forças de segurança e com a comunidade”, destacou o delegado.
Apoio da população
Com a divulgação dos registros e o compartilhamento de trechos das imagens, novas informações começaram a chegar à Polícia Civil. Dias depois, a Polícia Militar recebeu denúncia indicando um possível suspeito compatível com o indivíduo registrado nas gravações.
Durante a abordagem, os policiais localizaram uma arma de fogo com o homem apontado na denúncia, o que resultou na prisão em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. O investigado foi conduzido à Delegacia de Homicídios em Ribeirão das Neves.
Na residência dele, foram encontrados objetos que reforçaram as suspeitas, como uma touca ninja, munições e uma bolsa semelhante à utilizada por entregadores, item que havia sido visto nas imagens do ataque à padaria.
Prova pericial e motivação
O material apreendido foi encaminhado para análise técnica, e os exames balísticos confirmaram que a arma encontrada com o investigado foi utilizada tanto no ataque à padaria quanto na tentativa ocorrida na oficina.
“Quando o resultado pericial confirmou a correspondência entre a arma apreendida e os projéteis encontrados nos locais dos crimes e nos corpos das vítimas, tivemos a comprovação técnica da autoria”, afirmou o delegado Marcus Rios.
Ainda segundo o delegado, durante levantamentos, os policiais também analisaram o histórico e o comportamento do investigado. Segundo a apuração, os ataques teriam sido motivados por episódios de rejeição em interações cotidianas.
No caso da padaria, a investigação indica que o suspeito teria tentado uma aproximação com uma funcionária do local sem sucesso. Já no caso da oficina, a motivação teria relação com uma interação anterior em que o investigado solicitou um curso de pintura automotiva e recebeu resposta negativa.
“O que se observou foi uma reação desproporcional a situações banais do cotidiano, associada a um histórico de baixa tolerância à rejeição”, explicou Marcus Rios.
Com base nas provas reunidas — incluindo exames periciais, depoimentos, análise de imagens e material apreendido —, o inquérito policial foi concluído e encaminhado à Justiça com o indiciamento do investigado.
ASCOM PCMG


