Investigação da PCMG revela feminicídio em caso antes tratado como suicídio
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) esclareceu as circunstâncias da morte de uma jovem, de 22 anos, ocorrida em 9 de fevereiro deste ano no bairro Savassi, região Centro-Sul de Belo Horizonte. O caso, inicialmente tratado como possível suicídio, foi confirmado como feminicídio. O ex-companheiro da vítima, de 45 anos, está preso preventivamente desde a última sexta-feira (15/5).
Segundo a investigação, a vítima apresentou mudanças abruptas de comportamento após o início do relacionamento. A delegada Ariadne Coelho, titular do Núcleo Especializado de Investigação de Feminicídios do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), explica que a jovem passou a se mostrar retraída, emocionalmente fragilizada, isolada e excessivamente dependente do investigado.
“Descrita por familiares como estudante dedicada, comunicativa e envolvida em seus projetos acadêmicos, a vítima começou a apresentar retraimento social, insegurança emocional, afastamento gradual da família e dependência psicológica crescente do suspeito, além de passar a consumir bebida alcoólica e maconha”, contou Ariadne.
Ainda de acordo com o trabalho investigativo, pouco tempo depois do início da relação, o homem passou a morar no apartamento da estudante, mesmo sem convite formal. “Após a morte, ele permaneceu no imóvel, restringiu o acesso da família e buscou o reconhecimento judicial de união estável, ponto considerado relevante na apuração por possível motivação patrimonial”, revelou a delegada.
Elementos reunidos
O laudo necroscópico definitivo do Instituto Médico-Legal Dr. André Roquette afastou a hipótese de intoxicação voluntária e concluiu que a morte ocorreu por asfixia mecânica por sufocação direta.
Já as filmagens do circuito de segurança do prédio mostram o investigado deixando o apartamento na manhã do dia em que a jovem foi encontrada morta. Ele foi a última pessoa a ter contato com a vítima.
Complexidade
A delegada destaca que, em muitos casos, mortes de mulheres em sofrimento psíquico são inicialmente interpretadas como suicídio, o que exige rigor técnico em investigações de mortes violentas femininas, especialmente quando há indícios de relacionamento abusivo, interesse financeiro, versões inconsistentes e circunstâncias físicas suspeitas.
“A gravidade e o mascaramento dos fatos levaram ao pedido da prisão preventiva do investigado, que possui outras ocorrências envolvendo violência contra mulheres”, observou Ariadne. O homem foi localizado no apartamento da própria vítima.
ASCOM PCMG



