Promotor acusa Wellington Magalhães de intimidar ex-chefe da Polícia Civil

O promotor Leonardo Barbabella, da promotoria de Defesa do Patrimônio Público, afirmou que o ex-presidente da Câmara Municipal e vereador Wellington Magalhães (PSDC) tentou constranger e intimidar a ex-chefe da Polícia Civil de Belo Horizonte, Andrea Vacchiano, durante reunião com o secretário de Estado de Governo, Odair Cunha (PT). No encontro, também teria sido solicitado que a corporação atendesse aos pedidos do parlamentar por ser um “amigo” de integrantes do governo.

Barbabella disse que a informação foi repassada por Vacchiano em um depoimento dado ao Ministério Público nos últimos dias. Magalhães teria reclamado junto ao secretário que a Polícia Civil estaria o investigando. “Ela declarou que foi constrangida por Wellington na frente de Odair Cunha durante essa reunião. Foi pedido para que ela atendesse os pedidos de Wellington porque ele seria amigo de pessoas da administração”.

Vacchiano deixou a Polícia Civil em agosto de 2016. Segundo o promotor, não é possível afirmar se sua exoneração teria correlação com o pedido para beneficiar o então presidente da Câmara de BH. “Ela não afirmou que por isso ela caiu. O cargo dela era um cargo de livre nomeação, então não dá pra apontar isso”, disse Barbabella.

Apesar do depoimento da ex-chefe da PC, Barbabella negou que o governo de Minas seja um dos elementos investigados. O promotor também negou que secretário de governo Odair Cunha já tenha sido convocado para falar com o MPMG. 

Tráfico de drogas

Leonardo Barbabella também afirmou que há pelo menos outras 45 investigações do MP e da Polícia Civil envolvendo Wellington Magalhães. Uma deles, segundo o promotor, estaria relacionada com o possível envolvimento do vereador com o tráfico de drogas. ” Há uma investigação encaminhada para a polícia que seria o envolvimento com o tráfico de drogas. Não há provas, mas há uma investigação neste sentido”, disse. 

Na operação deflagrada nesta quarta-feira (18), Magalhães é acusado de ter desenvolvido um esquema criminoso para desvio de recursos da Câmara de Belo Horizonte através de licitações fraudulentas. Ao todo, a operação teria movimentado mais de R$ 30 milhões. 

“Quando o líder da organização criminosa assumiu a presidência da Câmara, sua primeira medida, com os demais integrantes, foi anular uma licitação anterior para direcionar uma nova para a empresa amiga, e através dela desviar dinheiro. Nos primeiros 90 dias do contrato, foram torrados R$ 15 milhões. Depois aditaram em mais R$ 15 milhões”, declarou.

Outro Lado

A reportagem procurou as defesas dos alvos da operação “Sordidum Publicae”, deflagrada nesta quarta-feira (18). Nesta manhã, Leonardo Salles, que defende o vereador Wellington Magalhães (PSDC), disse que a necessidade da prisão preventiva era questionável, e declarou que não tem informações sobre o paradeiro do seu cliente. Mais tarde, ele não retornou ligações e mensagens feitas pela reportagem.

Tiago Lenoir, que é advogado do ex-superintendente de Comunicação da Câmara Municipal de Belo Horizonte Márcio Fagundes, afirmou que já estuda meios para estabelecer a liberdade do cliente e classificou a prisão dele como desproporcional e desarrazoada, “uma vez que Márcio sempre contribuiu para as investigações quando demandado”. “Tivemos acesso aos autos e acreditamos que sua inocência será provada no curso do processo”, disse.

O advogado José dos Passos Teixeira Andrade, que defende Marcus Vinicius e Christiane Ribeiro, que são proprietários da Feeling Comunicação, declarou que não sabe o que ensejou a prisão porque no inquérito que a defesa acompanhava não havia nenhum elemento que fundamentasse a prisão. 

“A defesa não teve acesso a nenhum fato novo, e o que nós já percebemos no inquérito e acompanhamos é que não há nenhum envolvimento da agência de publicidade com qualquer ato ilícito, ainda mais para autorizar uma prisão extrema nesse momento. Poderia ser outra medida, que surtiria o mesmo efeito, como limitar deslocamento, recolher passaporte. Então, a defesa entende que a prisão preventiva é incabível nesse momento. ”, afirmou.

A defesa do ex-assessor do parlamentar Rodrigo Dutra de Oliveira não quis se pronunciar nesta quarta-feira. Não foram localizados os advogados da mulher do vereador, Kelly Magalhães, e nem os donos da empresa Santo de Casa: Frederico Ribeiro Guedes e Paulo Victor Damasceno.

Leia nota de Odair Cunha: 

Com relação à suposta fala do promotor, esclareço que não solicitei o atendimento de demandas apresentadas à ex-chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, Dra. Andrea Vachiano, bem como não interferi nas investigações em curso. Independentemente de quem estava ou está à frente da Polícia Civil, as investigações nunca pararam.  À Secretaria de Estado de Governo, da qual fui titular, não compete o juízo técnico de conveniência e oportunidade do atendimento de qualquer demanda e sim às áreas específicas. Qualquer afirmação neste sentido é especulação. Não admitirei qualquer tipo de ilação que vise imputar-me conduta inadequada.

Fonte : Jornal O Tempo

 

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